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OS TAMBORES E A BIODIVERSIDADE

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O que a bateria de um grupo de rock tem em comum com os sons de uma floresta? Criador do UAKTI e ex-integrante do Grupo Corpo, o músico Marco Antônio Guimarães, conhecido como Marco do UAKTI, passou a investigar a biodiversidade a partir da percepção de que seus instrumentos desenvolvidos na primeira fase do grupo tinham muito a ver com DNA, com a forma das plânctons, das conchas etc. Para ele, a forma dos instrumentos e suas sonoridades se associavam aos organismos da natureza. O resultado foi o espetáculo de dança com o Grupo Corpo chamado "UAKTI" executando músicas do grupo para o balé.

Enquanto as vaqueiras dançam o Tambor de Crioula no Maranhão, em louvor a São Benedito e agitadas pelo som do basturador (tambor maior), do meião e do crivador, um baterista de rock faz o mesmo, com a mesma vibração e propósito de louvação da vida...

Qual a distância entre um tambor e um coração? Dizem que a alma humana vibra numa frequência. Talvez por isso o tambor nos fale tão diretamente. Ele não precisa passar pela razão. Ele chega direto nas células.

O que uma simples baqueta e uma caneta podem ter em comum? Comece a bater sobre a mesa, o sofá, no vidro do carro, e verá que seu corpo guarda o ritmo de muitos tambores.

Segundo a lenda, o primeiro instrumento de percussão foi criado por uma mulher. A mãe, ao bater em uma panela para chamar a atenção de seu filho, descobriu a potência percutida. O ritmo está na origem da vida.

Um dos melhores e mais reconhecidos percussionistas do mundo, Naná Vasconcelos, faleceu recentemente. Para ele, o tambor servia para espantar os fantasmas da humanidade. Seu legado é imenso.

Já passou pela sua cabeça de que nós, seres humanos, somos um tipo de instrumento de percussão? Nossos pés ao caminhar, os dedos ao digitar, a boca ao falar... nosso corpo é uma grande orquestra.

Freud já dizia que a pulsão é a energia que move o ser humano. A pulsão, para a psicanálise, é a energia rítmica da vida.

Na obra do percussionista Ariane, a bateria não é apenas um conjunto de tambores, mas uma metáfora para a complexidade das relações humanas e da natureza.